terça-feira, 12 de maio de 2009

Every Day Is Exactly The Same

i believe i can see the future
because i repeat the same routine
i think i used to have a purpose
then again that might have been a dream
i think i used to have a voice
now i never make a sound
and i just do what i have been told
i really don't want them to come around
oh no...

every day is exactly the same
there is no love here and there is no pain
every day is exactly the same

i can feel their eyes are watching
in case i lose myself again
sometimes i think I'm happy here
sometimes...
sometimes... yeah, i still pretend
i cannot remember how this got started
oh... but i can tell you exactly how it will end

every day is exactly the same
there is no love here and there is no pain
every day is exactly the same

I'm writing on a little piece of paper
I'm hoping someday you might find
well I'll hide it behind something they won't look behind
i am still inside...
a little bit comes breathing through
i wish this could've been any other way
but i just don't know... i don't know what else i can do

every day is exactly the same
there is no love here and there is no pain
every day is exactly the same

Soneto 17



Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

"William Shakespeare"

terça-feira, 28 de abril de 2009

Passagem Secreta


Tenho raiva porque não sei onde
paira nem quando pára.
O que?
Sentir-me assim,
comover-me enfim,
dizer um sim nem sempre basta.
Prefiro um não,
é melhor então
o bater do coração,
o som de uma canção,
a rapidez da pulsação,
a sensação no ouvido,
pois sei que estou vivo.
Mas continuo com raiva,
não é doença, não,
é um sintoma,
não como o cão,
mais como o som de um trovão.
Mas sim, por fim,
confio em mim,
penso por mim,
e escrevo assim,
escrevo assado,
escrevo letra a letra
a letra do lado.
Faço uma frase
crio uma rima
lanço um poema
escolho um tema,
e penso no que quer que seja o problema.
Apuro os sentidos,
encontro os sonhos perdidos
que nunca perco.
Apenas guardo
num sítio só meu,
escondidos de olhares perdidos
que estão sempre sozinhos.
Raiva?
Por vezes,
mas contra mim nada é capaz,
porque controlo o meu tempo,
e ele transforma,
qual alquimista,
o que vejo longe da vista,
e me fornece paz.

"Nuno C. Pinto"

...Bons Tempos...

Instante


Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões

Quando o ser só dura um instante onde cada instante

Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido

Sem esta onda onde por fim

Corpo e sombra juntos se dissipam

Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios

Arquejando furiosos em direcção ao socorro em direcção ao amor

Sem este céu que se eleva

Sobre o pó dos seus lastros

Que faria eu eu faria como ontem como hoje

Olhando para a minha janela vendo se não serei o único

A errar e a mudar distante de toda a vida

preso num espaço marionete

Sem voz entre as vozes

Que se fecham comigo.

"Samuel Beckett"

domingo, 12 de abril de 2009

Realidade Paralela


Deixem-me ver o sol com os olhos fechados,
sentir a frescura dos dedos molhados,
passar a mão na areia, sentir a sua textura,
deleitar-me em sonhos, na tua procura,
ver o brilho dos teus olhos em cada olhar,
em cada um dos teus gestos de ternura.
Permitam-me a razão, perdoem-me a duvída,
compreendam o tacto perante a visão dúbia.
Excessos, retrocessos, processos, projectos
questões, respostas,
infindáveis fantasias sobre realidades propostas.
Certezas incertas, irregularidades perfeitas,
vontade de viver por entre as palavras que aceitas,
de mim, para ti, para quando precisares, eu estar aqui.
Deixem-me abrir os olhos e ver o brilho,
sentir a doçura dos dedos desenhados,
agarrar um punhado de areia, atirá-la ao vento,
ver a tua silhueta surgir no momento.
Sonhar acordado, tornar tudo verdade,
só eu sei, que quando fecho os olhos, eu tento.

"Nuno C. PInto"

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